Histórias caricatas

“Pesadelo” em Marraquexe

A viagem seguinte seria a pior de toda a nossa história.

O nosso primeiro dia em Marraquexe foi aterrorizante, (hoje, pensando nisso… que tolas que fomos!). No primeiro dia em Marraquexe, alugamos um táxi que nos levou a visitar os principais locais turísticos. Após algumas horas de viagem, saídas e entradas em jardins e mais jardins, pedimos ao senhor do táxi que nos levasse a uma superfície comercial para podermos comprar alguns bens necessários como águas e alguns petiscos. O diálogo com o taxista não foi muito fácil, entre um espanhol arranhado, inglês mal estruturado e um francês bem arcaico lá acabamos por nos fazer entender.

Já no hipermercado, observamos que o taxista também por lá andava. Reparamos que nos seus braços levava 4 mantas e 4 garrafas de água. A nossa cabeça começa logo a fervilhar na hora. Os filmes começam a aparecer. Olhamos umas para as outras… “Ai que aquilo é para nós!”, “Ele vai raptar-nos!” – Disse uma de nós no meio de uma divertida gargalhada e aquele terror miudinho a começar a apoderar-se.

Pagamos as nossas compras, saímos, e fomos para o carro, o nosso único ponto de referência naquele local desconhecido e verdadeiramente no meio do nada. Entretanto, chega o senhor, abre a mala e coloca as suas coisas e as nossas lá dentro, fecha-a e pede-nos para entrar no carro.

A viagem seguinte seria a pior de toda a nossa história, hoje rimos muito quando a relembramos, mas na altura atormentou-nos. “Ele vai raptar-nos” – dizia a Ana. “Aquelas mantas são para nós, continuava ela. Vai meter-nos em algum buraco e pedir resgate…”, “Vai vender-nos…”, mas sempre com um tom aligeirado de brincadeira.

O carro começa a andar, nós as 4, em silêncio, seguíamos petrificadas e num quase pânico. O taxista embrenhou-se no meio de um bairro extremamente degradado, pessoas de olhar penetrante e assustador (mais uma vez o nosso preconceito envergonha-nos quando pensamos nisto) surgiam por todo o lado. O sítio era realmente assustador. Nos nossos pensamentos tememos o pior e começamos, realmente, a ficar desconfortáveis.

Terminaria assim a nossa viagem a Marrocos?! Claro que não, os nossos medos apoderaram-se de nós sem motivo. O nosso terror terminou, pouco depois, quando passado o tal bairro voltamos à estrada principal e logo, logo chegamos à Medina de Marraquexe. O nosso coração estava bem mais leve, ao contrário da nossa consciência pesada que nos faz sentir mal até hoje.

Sem dúvida que esta foi umas das grandes aprendizagens desta viagem. As pessoas são muito mais que aquilo que nos possam aparentar, mais que o seu aspeto ou a sua nacionalidade demonstram. Se queres conhecer verdadeiramente a cultura de outro país, vai de mente aberta e aceita receber tudo aquilo que as pessoas têm para te oferecer. Quase sempre acabas por ter maravilhosas surpresas!

Plano (V)ida

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