Por aí...

O que nunca contamos acerca das viagens

Quem viaja sabe que cada viagem tem a sua dose de acontecimentos caricatos.

É impossível imaginar uma viagem sem histórias para contar. As viagens são para isso mesmo, sair da zona de conforto e enfrentar todo um novo mundo. Encarar medos e agarrar todo um leque de novas conquistas. Aqui entre nós, não tem nada melhor do que aquelas histórias muito malucas para contar, não é verdade?

Quem viaja sabe que cada viagem tem a sua dose de acontecimentos caricatos. Alguns tornam-se mesmo aflitivos no momento, mas depois acabam em engraçadas histórias. No fundo, são estes momentos não programados que dão tempero às viagens. Que as tornam únicas.

 

  • O andar errado (em Paris)

Uii, alguma coisa não está certa

A nossa chegada a Paris não podia ter sido mais marcante. Nossa primeira viagem. Nosso primeiro susto. Nossa primeira trapalhada.

Tínhamos acabado de chegar à central das camionetas, vindas do aeroporto de Beauvais, depois de uma hora e meia de viagem. O próximo passo para chegar ao nosso alojamento, seria apanhar um metro que se situa dentro de um centro comercial. Já dentro do centro comercial, partimos em busca de uma casa de banho. Até aqui, tudo normal, estão vocês a pensar. Pois bem, seguimos a sinalética e lá fomos nós, escada acima (super carregadas com malas e um saco de comida com 23 KILOS. Sim, 23 Kilos!! Não tentem perceber.). Quando chegamos ao andar de cima, local onde se situava o dito lugar, achamos aquilo muito estranho. Vazio, sem lojas, com plásticos pendurados, escuro, casa de banho trancada e uma placa a dizer “Centro de Congressos”. “Uii, alguma coisa não está certa”, dissemos. Nada que não se resolvesse, desceríamos as escadas e voltaríamos para o andar de baixo para continuar a nossa procura. Pois, isso era o que nós pensávamos, isso, era se houvesse escadas, isso, era o que seria normal. Habituem-se, connosco não existe isso do normal. Depois de muito procurarmos não havia saída. As escadas rolantes só subiam, a porta de saída para o exterior estava trancada, ninguém para nos ajudar e um nervoso miudinho a apoderar-se de nós. Não foi preciso muito tempo até um guarda (vindo sabe-se lá de onde) se dirigir a nós e, com os braços em cruz, gritar qualquer coisa que não percebemos logo. Tínhamos feito algo errado e era desta que íamos conhecer as grades de uma prisão. Ok, pronto, uma prisão Parisiense, mas, puxa, não viemos cá para isso. Ora bem, depois do pânico inicial, lá entendemos que aquele piso era restrito e o acesso ao público era proibido. O senhor guarda, sempre com cara fechada, encaminhou-nos até a uma outra casa de banho. Mandou parar a escada que só subia e colocou-a no sentido inverso. Enquanto isto, dois funcionários, da qual presença não nos tínhamos apercebido, e que haviam assistido a toda aquela cena, divertiam-se e riam à nossa custa. Belo começo!

 

  • Comboio errado em Paris

Cumprir planos? Nós? Como assim?!

Para primeira viagem ao estrangeiro a história anterior já nos chegava. Mas não! Nós gostamos de encrencas e elas não nos facilitam a vida.

Como vos dissemos, a estação do comboio/metro (somos só nós que achamos que transportes públicos em Paris são bem complicados de distinguir?) ficava dentro do bendito centro comercial. Depois da barracada anterior, estava na hora de cumprir os planos e chegar à casa que alugamos ainda durante este dia. Cumprir planos? Nós? Como assim?! Já estávamos super atrasadas (tínhamos hora marcada com o proprietário), porém, ainda nos fomos enganar no comboio/metro e em vez de apanharmos aquele que ia direto ao nosso destino, apanhamos aquele que (na altura nos pareceu) demorou quase o dobro do tempo e nos deixou numa estação muito mais longe. Ainda se lembram que estávamos cheias de malas e com um saco com 23kilos de comida, não é verdade? Então, imaginem o cenário seguinte: 4 miúdas a puxar as suas pesadas malas pelas ruas de Paris. Lindo de se ver!!! Quando, finalmente, chegamos à porta da casa que havíamos alugado, nada. Ninguém estava lá para nos receber. E agora, quem liga ao homem? Nenhuma de nós falava bem inglês, muito menos francês. Valeu-nos o dono do bar ao lado. Uma alma simpática para começar a mudar a nossa sorte por estas bandas. Bienvenue à Paris!

 

  • Autocarro errado em Londres

Até apanharmos o autocarro errado e irmos ter a lugar incerto

Londres recebeu-nos com tanta hospitalidade que nos sentimos logo em casa. Entrávamos e saíamos dos transportes com a maior facilidade. Víamos uma paragem, escolhíamos o destino e cá vamos nós. Até apanharmos o autocarro errado e irmos ter a lugar incerto. E se no início até apreciamos o passeio mais longo, com o passar das horas a coisa não foi bem assim. O dia virou noite escura, os 100 metros que julgávamos faltar para chegar ao hotel, multiplicavam-se de uma forma doida e o nosso hotel cada vez mais longe.

 

  • Perda de bilhete em Londres

O meu bilhete? Perdi o meu bilhete!

Conhecem, quase de certeza, aquela sensação de chegar mais tarde do que o programado ao aeroporto. Nós não somos nada de nos atrasar. No que toca a voos gostamos de fazer as coisas com muita calma, para não tornar aquele momento bom numa azáfama desenfreada.

O nosso regresso de Londres estava programado para ser assim, mas 5 segundos (sim, 5 minúsculos segundos) fizeram com que perdêssemos o autocarro para o aeroporto. Para quem não conhece, o aeroporto de Stansted é gigantesco. Entramos em modo flecha. Corremos para a segurança e toca a tirar tudo. Quando finalmente passamos, continuamos a correr, agora com casacos, camisolas, relógios, mochilas abertas, malas… tudo nas mãos (estão a imaginar, não estão?!). Quando chegamos à porta de embarque, exaustas, depois do que nos pareceu uma eternidade em modo corrida, paramos. Ansiávamos descansar, quando: “O meu bilhete? Perdi o meu bilhete!” Pânico. Falamos com o assistente de terra. Impossível embarcar sem bilhete. Toca a percorrer todo o caminho de volta até à segurança, agora em direção contrária. Ups, ninguém nos havia avisado que a zona de embarque só tem uma direção, logo, escadas rolantes só descem (notam alguma tendência para escadas que apenas nos levam numa direcção, né?). Ora toca a subir a escada que afinal só desce. Mais corrida pelos corredores. O povo olhava, pasmado. Afinal, a zona de embarque era para o outro lado. Capotei na tal escada que só descia, e eu, à força toda, teimava em subir. Joelho esfolado e calças rasgadas. Levanta e sacode. Sem problema, só quero é o maldito do bilhete. Nada de bilhete. Havia sumido. Mais pânico. Toca a voar agora em direção à zona de embarque (novamente). Dirigimo-nos, mais uma vez, às assistentes de terra a explicar o sucedido. E, depois de toda a saga, ali estava ele, o meu bilhete. O bilhete sumido havia sido encontrado por alguma boa alma que o tinha ido entregar na porta de embarque. Obrigada a ti, a quem quer que sejas. Obrigada.

 

  • Partiram-nos o espelho do carro nos Açores…2 vezes

Corta aqui, cola ali, encaixa acolá e, minutos depois, o espelho estava “como novo”.

O nosso hotel nos Açores ficava bem no centro da cidade, numa rua super estreita, mas onde era permitido estacionar. De manhã, chegamos ao carro e nada de espelho. Tinha desaparecido e, no seu lugar, pequenos pedaços jaziam, pendurados. Fomos dar com ele no passeio, aos bocados, numa imagem que metia dó, pobrezinho. Apavoradas, sem saber o que fazer, olhamos umas para as outras, estáticas. E agora? Não poderíamos conduzir sem espelho, não é?!

Após o choque inicial, corri ao hotel a explicar o sucedido e pedi fita-cola para tentar remediar o assunto. Iniciamos os trabalhos manuais. Corta aqui, cola ali, encaixa acolá e, minutos depois, o espelho estava “como novo”. Novo design e tal, mas perfeitamente aceitável. Havia ressuscitado. Dois minutos, durou 2 minutos a nossa satisfação. Ainda em êxtase por tamanho feito, quando passa um carro a alta velocidade (lembram-se que a rua era muito estreita, não lembram?!) e PUMBA lá estava ele no chão. De novo. Num fragmento de segundo, um estrondo, seguido de um voo desorientado e voltou a ficar aos pedaços, ele e o nosso coração, de tão grande frustração. Não queríamos acreditar. Rimos de nervoso. Voltamos a colar o espelho minuciosamente e apressamo-nos a sair dali. Não iria aguentar um 3º embate. Pobre espelho.

  • Pulgas no comboio para Madrid

Dezenas de borbulhas, em bolha, começaram a aparecer

A nossa viagem para Itália começou com uma viagem noturna de comboio (Coimbra-Madrid). Tirando o facto de o comboio ter parado por diversas vezes para arranjarem algo que estava avariado (demos graças por ser comboio e não avião), com pessoal a correr pra cá e pra lá e todo o burburinho provocado, a noite correu bem. Conseguimos descansar o mínimo necessário e tudo estava bem. Tudo estava bem até começarem a surgir, no dia seguinte, as primeiras comichões. Dezenas de borbulhas, em bolha, começaram a aparecer. Ambas estávamos com o corpo numa lástima. Picadas de pulga preencheram-nos mãos, braços, cara, peito, barriga e costas. Conseguem imaginar como foram os nossos primeiros dias em Itália… a besuntar-nos com pomada e a coçar. A coçar muito, gente.

  • A chegada de madrugada a Roma, sem ninguém para nos receber

Ninguém para nos receber, não respondiam na campainha, nem respondiam às mensagens.

A nossa chegada a Roma aconteceu de noite. Já não bastava a viagem assustadora de táxi (povo nervoso na estrada, este) como, para abrilhantar mais a coisa, chegamos ao local, onde ficava a casa que havíamos alugado, e nada. Isso mesmo, nada. Ninguém para nos receber, não respondiam na campainha, nem respondiam às mensagens. Passava da meia-noite e não tínhamos casa. Fomos burladas, achamos. Temos que procurar ajuda. Havíamos reparado à chegada que existia uma esquadra da polícia logo por detrás. Fomos até lá. Ninguém, não estava ninguém. Estava fechada! Desanimadas e em pânico, começamos a pensar no pior. Não sabíamos o que fazer. Até que… apareceu a anfitriã e tudo se resolveu. Ninguém tinha borlado ninguém, apenas uma falha na comunicação. Ufa!! Valeu para o susto!!

  • Multa num comboio em Itália

Em segundos instala-se uma cena de filme. O revisor passa por nós a correr aos berros, de mão no ar.

Andamos muito de transportes públicos nas nossas deslocações entre cidades e países durante as viagens. Levamos todos os bilhetes comprados e impressos de Portugal e, até hoje, na maior parte das vezes, isso bastava.

Estávamos em Florença e íamos de manhã bem cedo para as Cinque Terre. A experiência na estação de Florença não foi das melhores. Cidade escura e vazia àquela hora da manhã. Três raparigas sozinhas, imensos sem abrigo a dormir ali, muito escuro, os balcões ainda fechados, um homem de ar super esquisito (estilo máfia, estão a ver?), deambulava e reclamava, furioso e ameaçador, com uma mãe e filha adolescente. Pelo pouco que percebemos, pensava ter sido apanhado numa foto que elas haviam tirado ali (demasiado sinistro). Whatever!! Tudo muito assustador.

Quando finalmente chegou o comboio e pensamos relaxar, o que no início até aconteceu, os acontecimentos sinistros continuaram. Diversos vendedores ambulantes de nacionalidades várias e muito mau aspeto, sentaram-se por perto. Tempos depois, levantaram-se em sobressalto e começaram a correr. Percebemos mais tarde que ouviram o revisor a aproximar-se. Em segundos instala-se uma cena de filme. O revisor passa por nós a correr aos berros, de mão no ar. No andar de baixo, também a correr e aos berros, uma revisora fazia o mesmo, mas em sentido contrário. Pasmamos com o que vimos e rimos. Rimos muito. A verdadeira caça à multa, meus senhores. Ali ninguém escapa. Quando finalmente tudo acalmou, o revisor regressou, nós entregamos os bilhetes impressos e ele, ainda esbaforido, começa a falar muito rápido e a reclamar connosco. What?? O que lhe deu agora?? Pumbas, pega lá uma multa!! Pois é pessoas, quem cospe para o ar… Nós tínhamos que ter validado os bilhetes antes de entrar. Cinco euros de multa. Pois é, assim foi a nossa estreia nas multas. Pelo menos foi em Itália, que é coisa chique. E foram apenas 5 euros. Valha-nos isso.

Ratazanas em Roma

…ouvimos algo a mexer do nosso lado.

Gostamos de eternizar memórias e, em viagem, acontece-nos por diversas vezes que de um momento banal surjam as melhores. Íamos a caminhar por Roma, encantadas com tanta beleza. Cantávamos alto e riamos. Estávamos felizes. Aquele era um momento que queríamos eternizar. A sensação de deslumbramento, a sorte que sentíamos em estar ali. Estávamos apaixonadas por Roma. Até que, entre risos e cantoria, ouvimos algo a mexer do nosso lado. Olhamos, não percebemos de imediato, talvez um gato em busca de comida no caixote do lixo. Curiosas, paramos e pusemo-nos à escuta. Lá estava ele de novo, o barulho. De repente, vimos algo a aparecer e gritamos. Gritamos histéricas e corremos dali. Eram ratazanas senhores. Ratazanas grandes e pretas. Ratazanas em plena rua, em pleno centro da cidade que nos apaixonou. Como pode?!! Não há coração que aguente!

Bebidas nos canteiros

Quer oferecer-nos bebidas e sugere várias com álcool.

Viajamos sempre 3 raparigas. Conhecemos os perigos que podemos encontrar e tentamos tornar cada viagem na mais segura possível. Evitamos comportamentos que consideramos de risco, mesmo que de baixo risco. E procuramos sentir-nos seguras.

Em Roma, enquanto procurávamos um restaurante para jantar, várias pessoas se dirigiam a nós a oferecer a ementa e a convidar a ficar. Normal. Num dos restaurantes, um rapaz dirige-se a nós e começa com aquele galanteio italiano. Engraçado e tal, muito simpático… Aceitamos ficar por ali, pois não nos pareceu nada mau. Restaurante numa rua agitada, muita gente, comida com aspeto delicioso, barato… ótimo! Teríamos que esperar que libertassem mesa, mas tudo bem. Entretanto, o rapaz vai mais longe na sua investida e começa a fazer-nos diversas perguntas. Quer oferecer-nos bebidas e sugere várias com álcool. Dizemos que não, que não bebemos álcool nestas circunstâncias, mas ele insiste. Vai para dentro e regressa com 3 copos. Entrega-nos, alegando que é apenas sumo de ananás. Aceitamos, não queríamos parecer mal-agradecidas. Ele regressa ao interior do restaurante. Cheiramos e parece-nos realmente sumo de ananás. Mesmo assim, desconfiamos, não iríamos correr o risco. Afastamo-nos um pouco, mencionando que iríamos ver as lojas ali ao lado, vimos um canteiro com flores e, ali mesmo, despejamos os 3 copos. Rimos da nossa figura. Voltamos para a porta do restaurante e continuamos na conversa, fingindo ter ingerido a bebida.

No final, percebemos que era apenas cortesia habitual de diversos restaurantes por ali, numa tentativa de segurar os clientes enquanto estes esperam por mesa. Ahaha

Somos do prevenir, não do remediar, tá?!

  • Autocarro super lotado em Santorini

…aglomeravam-se já uns por cima dos outros, nos colos.

Santorini é um lugar encantador. Todos nos queremos demorar por lá, num deambular fascinado e demorado pelas suas ruas. A sensação de ver o sol pousar no mar é indiscritível de tão fabulosa. Queremos ficar, ficar, mas, caso estejam alojados numa outra vila (como nós!!) e tenham vindo de transportes públicos (como nós) tenham em atenção que este tem horas para regressar.

Era já noite escura quando nos decidimos despedir de Santorini. Estava escuro e tínhamos que voltar ao nosso hotel que ficava em Thira. Deslocamo-nos ao local onde o autocarro nos havia deixado horas antes para apanhar o de regresso a Thira. Uma fila gigante. Normal, a maior parte das pessoas vai a Oia apenas de visita. Quando chegou o autocarro, a pessoa encarregue de colocar as pessoas lá dentro começou a fazer o seu trabalho. Começou a mandar o povo todo lá para dentro. Chegou a nossa vez, entramos, já não havia lugar, mas tudo bem. Não ia ser fácil, a viagem para Oia havia sido super sinuosa, o que antevia uma viagem nada confortável, mas havíamos cumprido um sonho e isso não importava. O rapaz encarregue continuava a mandar gente entrar. Mais gente. Amigos e familiares, aglomeravam-se já uns por cima dos outros, nos colos. Entrou gente até ser mesmo impossível empurrar (estão a ver o metro na china? Tipo assim!!!) Não queríamos acreditar. Nós ríamos, como quase sempre que nos encontramos em situações inusitadas. Não controlamos. Estamos nervosas, rimos.

Passamos a viagem sentadas nas escadas traseiras do autocarro, bem coladas umas nas outras, a cantar músicas da Disney em voz alta. Ao nosso redor pernas, muitas pernas. Não caberia nem mais um alfinete. E nós cantávamos. E riamos. Felizes, por ter cumprido um sonho. Sem dúvida que mais uma vez, uma situação desconfortável se transformou num dos momentos altos da nossa viagem. Fomos felizes naquele metro quadrado que partilhamos durante mais de 20 min, por entre estradas sinuosas e encostas.

  • Viagem em alto mar… ao ar livre

Como iríamos viajar 8h em alto-mar ao ar livre?

Fizemos a viagem Atenas-Santorini de barco. Os bilhetes foram comprados ainda em Portugal, pela internet. Como fazemos sempre que programamos uma viagem, tentamos poupar ao máximo. Quando escolhemos os lugares, pesquisamos o tipo de barco e, pelas imagens, parecia-se muito com um comboio. Optamos por escolher os mais baratos. A viagem seria de 8 longas horas, portanto, logo que fosse um lugar sentado, num local fechado, estaria ótimo. Acordamos cedo nesse dia. Muito cedo. Mas descansaríamos durante toda a viagem. Sem problema. Chegamos bem cedo ao barco, mas já se encontrava cheio de gente. Fomos subindo para o local onde nos indicavam, fomos andando e, de acordo com o nosso bilhete, o nosso lugar seria no último andar. Como assim no último andar?!! Todos os poucos sofás estavam ocupados e todo o último andar se parecia com uma esplanada. Sim, ao ar livre. Como iríamos viajar 8h em alto-mar ao ar livre? Ah, tá, por isso tanta gente com roupa extra quente, crianças com roupa de neve e tudo… Ah, era por causa disto?!! Petrificamos. Nós estávamos com roupa de verão. Começamos à procura de soluções. Sentamo-nos nas últimas cadeiras, super desconfortáveis, e paramos para pensar. Já nos encontrávamos em viagem e tínhamos cada vez mais frio. Ao nosso redor, todos pareciam preparados para uma excursão pelo Ártico e nós em calção. Não podíamos continuar ali. Arrumamos as malas num canto (bem fechadas com aloquete) e fomos para o interior do barco. Apenas um pequeno corredor e umas escadas em alcatifa, que davam precisamente ao andar de baixo, onde, confortáveis, viajavam todos aqueles que se tinham precavido e dado mais uns tostões pela mesma viagem que nós. Decidimos “acampar” ali mesmo, no corredor. Estendemos a manta e ali ficamos, deitadas, a dormir. Se era proibido ou não, não sabemos. Nem nos importamos. O que é facto é que outros se tinham juntado a nós. Ali, no chão alcatifado. Ali, num estilo sem-abrigo. Almas desinformadas a necessitar de descanso.

Saímos do alpendre na hora certa, pois, passado uns minutos, o barco baloiçou forte e ouvimos gritos vindos do exterior. Fomos espreitar. Uma onda gigante tinha entrado alpendre dentro e tudo estava encharcado. Os poucos lugares tornaram-se inexistentes. Sentimo-nos no Titanic. Um verdadeiro filme!

Ser pobre é duro!!

Nas últimas horas da viagem, conseguimos um lugar sentadas na parte traseira do barco, virado para o mar. Agora com menos velocidade, era possível disfrutar do sol e da vista. Valeu pelo momento!

  • Perigos nas estradas de Creta

…passamos o tempo todo a ser, literalmente, “empurradas” para a berma

Durante a nossa estadia em Creta, e como o nosso objetivo era percorrer a ilha de um lado ao outro, optamos por alugar carro. Se pela cidade a condução não tinha grandes dificuldades, o mesmo não podemos dizer da auto-estrada. Quem já viajou de carro por Creta sabe que, na grande parte das vezes, apenas há uma faixa de rodagem, e, a berma. Pois que passamos o tempo todo a ser, literalmente, “empurradas” para a berma, pois, segundo fomos percebendo, tínhamos que nos afastar para eles passarem, mesmo não havendo outra faixa que permitisse a ultrapassagem. Quando, por qualquer razão, isso não acontecia, não havia problema, éramos ultrapassadas pela direita com uma pinta do caraças. Sim, pela direita que é como quem diz, pela berma. Isto para não falar das vezes que, em simultâneo, éramos ultrapassadas pela direita e pela esquerda, numa simbiose perfeita e sincronizada. Devemos dizer que íamos sempre em condução segura, respeitando os limites da velocidade. Talvez não o devêssemos ter feito…

  • A teoria do aconchego

Todos os dias, praia nova, pessoas novas, mas este misterioso acontecimento repetia-se em todas elas.

Escolhemos visitar Creta pelas praias fantásticas. Areal longo (às vezes), águas quentes e azuis… Esperava-nos o paraíso. Assim o pensávamos.

Planeamos passar um dia em cada uma das praias. Queríamos conhecer todas. Em todas as vezes, nós chegávamos, pousávamos as nossas coisas, numa zona afastada do resto das pessoas, e corríamos para a água. Quando voltávamos, o cenário era completamente diferente do que havíamos deixado, pois em todo o nosso redor era um sem fim de novas toalhas esticadas precisamente ao lado das nossas. Ao lado, em cima, em baixo. Toalhas por todo o lado, coladas literalmente às nossas (Sério? Com um areal tão grande? Porquêêê?!)

Todos os dias, praia nova, pessoas novas, mas este misterioso acontecimento repetia-se em todas elas. Não vos vamos maçar com todos eles, porque maçadas ficamos nós e já chega. Vamos contar-vos o mais caricato, na maravilhosa praia de Falassarna.

Chegamos cedo. Bem cedo. Areal gigante, praia quase vazia. Escolhemos um lugar perto da zona de vigia. A estrutura de madeira iria dar-nos alguma sombra, principalmente para colocar os sacos. Ótimo. Arrumamos as nossas coisas, estendemos as toalhas e fomos para o mar. Depois de termos desfrutado daquele mar delicioso, regressamos às toalhas e… junto das nossas coisas, praticamente em cima, diria, uma toalha estendida e uma rapariga que se besuntava de creme. O quê?? Aqui também?? Não queríamos acreditar, mas nada poderíamos fazer. Desvalorizamos o assunto e deitámo-nos nas toalhas, quando, de repente, à frente dos nossos olhos passa um par de chinelos. Os chinelos da nossa amiga, que estavam junto das nossas coisas e, por consequência, junto da senhorita que abusadamente invadiu o nosso perímetro, haviam sido arremessados pela intrusa, pois, pelo que julgamos estaria a importunar a nossa recente visita. Ficamos chocadas. E, se uma usurpadora já não era suficiente, minutos depois, um grupo de jovens, muitos jovens, acompanhados de um rádio com música alta decidem acampar precisamente ali, do nosso lado. Toalha com toalha. Inacreditável!! E assim se destrói o descanso no paraíso.

  • Trancadas numa casa em Cracóvia

A pessoa insistia e mexia na fechadura.

Esta história tem dois episódios bem caricatos que podiam ter estragado nossa estadia em Cracóvia. Vou abreviar para vocês.

Começamos com a chegada à casa que alugamos. Abrimos a porta e …. Choque!!! Aquela casa não tinha sido limpa. O caixote do lixo cheio até cima, um pano muito sujo no chão, louça usada na banca, a casa de banho super desarrumada e… poupo-vos o pormenor da sanita. Ficamos abananadas!! Enviamos de imediato email para os anfitriões a explicar a situação e a pedir alguém que viesse arrumar. Disseram-nos que viria. Muito bem! Mais tarde, ouvimos alguém a tentar abrir porta, assustamo-nos e pedimos para aguardar, pois estávamos de pijama. A pessoa insistia e mexia na fechadura. De um momento para o outro deixamos de ouvir barulho. A mulher (achamos nós que seria a senhora da limpeza) desapareceu. Espreitamos pela janela e nada dela. Abrimos a porta da rua e ups, a porta não abria. Estávamos trancadas dentro do apartamento. Passaram todos os pensamentos por nós. Ficamos com medo do que aquilo poderia significar. Voltamos a contactar os anfitriões. De início, nada. Nós lançávamos suposições e riamos.

Tudo terminou bem, pois conseguimos finalmente contactar os responsáveis e pedir que mandassem alguém. Agora para nos “salvar” daquela prisão forçada.

  • Cancelamento do voo Amesterdão

…damos conta de uma mensagem no telemóvel e não queríamos acreditar no que estava escrito!!

Amesterdão está nos nossos planos desde sempre. Concretizámo-lo precisamente este ano. Encontramos voos baratos com horários impossíveis de acreditar. Uau!! Estávamos extasiadas de tão felizes. Juntamos 3 dias e íamos cumprir o nosso sonho.

Duas horas antes do voo, enquanto nos preparamos para sair, damos conta de uma mensagem no telemóvel e não queríamos acreditar no que estava escrito!! Voo cancelado e remarcado para o dia seguinte. Como assim?! Nós temos voo de regresso marcado para sábado, não podemos ir só na 6ªf. Ainda para mais, a nossa amiga fazia 30 anos naquela 6ªf. Não iríamos perder o dia em voos, chegar a Amesterdão à noite para voltar no voo do dia seguinte.

Dirigimo-nos ao aeroporto. Reclamamos e pedimos soluções mais favoráveis. Não havia. Voar no dia seguinte era a única solução. Não servia para nós. Entramos em pânico, não queríamos acreditar que tudo se iria desmoronar. Após uns momentos de pânico, o funcionário chama-nos e mostra-nos uma opção com escala em Lisboa, mas que nos permitia chegar a Amesterdão no mesmo dia. É isto! Aproveitamos. E assim, apesar de termos perdido um dia em Amesterdão, este acaso do destino levou-nos, 4 anos depois, no dia exato, ao local onde nos conhecemos. Não existem coincidências! Tudo acontece por um motivo.

 

Comentem aqui em baixo qual a vossa favorita 😉